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A importância de um sistema de ônibus sensível à primeira infância

O atual modelo do sistema de transporte é pensado para atender um padrão de deslocamento casa-trabalho para fins produtivos, mas essa não é a realidade de todas as pessoas que circulam pela cidade. Idosos, por exemplo, se deslocam com maior frequência para acessar serviços, para receber cuidados, para visitar as famílias ou para socializarem. Não viajam no horário de pico, estão fora da janela de tempo na qual o serviço de transporte público com maior frequência é oferecido. Mulheres, da mesma forma, além de realizarem viagens produtivas, realizam múltiplas viagens para lidar também com o acúmulo de atividades relacionadas aos cuidados com a família em vista do modelo patriarcal da sociedade. Neste caso específico, as viagens podem ser ainda mais complexas, em particular quando estamos falando de cuidadores acompanhados de bebês e crianças até 6 anos. 

Diariamente cuidadoras e cuidadores realizam em uma mesma viagem uma série de paradas para concluir múltiplas tarefas: levam as crianças para a escola ou hospital, ajudam outros membros da família, fazem atividades referentes ao trabalho remunerado, realizam compras de mercado e outras tarefas domésticas. O planejamento de um sistema de ônibus que atenda às necessidades e desejos dessas usuárias e usuários é fundamental para garantir que as viagens sejam realizadas de forma segura,confortável e inclusiva.

O ITDP lança a publicação Primeiros passos para um sistema de ônibus mais sensível à primeira infância. A partir da percepção de cuidadoras e cuidadores sobre o sistema de ônibus, o ITDP Brasil elaborou uma série de recomendações que devem ser consideradas em todas as etapas de desenho do sistema de transporte (planejamento, implementação e operação) para contribuir com o aprimoramento da mobilidade e da qualidade da vida de bebês, crianças e daqueles que acompanham os pequenos no deslocamento.

Para os cuidadores, os serviços de ônibus são uma forma de facilitar as viagens encadeadas no dia a dia, reduzir o tempo de viagem e conseguir acessar espaços de lazer mais distantes. Entretanto, os mesmos apontam que muitas vezes realizar os deslocamentos é extremamente penoso, sendo ainda mais difícil quando envolve o transporte de bebês e crianças pequenas. 

Os desafios já começam antes de sair de casa. O cuidador se planeja para calcular o gasto diário que terá com o transporte, incluindo os trajetos que precisam ser feitos, a quantidade de ônibus que precisa pegar e a existência ou não da integração tarifária. O preço da passagem, considerado alto, tem grande impacto no orçamento familiar. O custo acaba restringindo as possibilidades de inclusão e de acesso a locais de lazer e cultura.

A espera pelo transporte é fragilizada com a falta de pontos de ônibus confortáveis, com assentos ou abrigo contra o sol e chuva. No embarque, a altura dos degraus, o vão gerado pela  distância entre o veículo e a calçada, as catracas que dificultam a passagem com crianças e bolsas, o comportamento impaciente, agressivo e desrespeitoso de muitos motoristas – que não têm paciência para aguardar o embarque de todos os passageiros –  são empecilhos significativos que atrapalham a realização de uma viagem segura, tranquila e confortável. 

Dentro dos ônibus, o obstáculo é conseguir viajar com tranquilidade. Os poucos lugares reservados por lei muitas das vezes estão ocupados indevidamente. São bastante frequentes os relatos de viagens feitas em pé, com crianças no colo. Para agravar a situação, os ônibus geralmente estão lotados e a maioria das linhas não possui ar condicionado. O desconforto é um fator que gera estresse e ansiedade tanto para o cuidador quanto para a própria criança, direta e indiretamente. As experiências e vivências diárias da primeira infância, em especial daquelas de 0 a 3 anos de idade, afetam particularmente o desenvolvimento integral infantil, como capacidades cognitivas, habilidades motoras, entre outros.

Apesar de todas as dificuldades mencionadas, para as crianças esse momento pode ser de divertimento. Os cuidadores indicam que, mesmo com o aperto e a falta de conforto, as viagens de ônibus são uma oportunidade para as crianças saírem dos espaços restritos em que vivem e o tempo de deslocamento no transporte poderia ser mais bem utilizado como momento de troca com a criança. Na visão dos cuidadores, para as crianças, o ônibus é novidade, é diferente e é, também, o meio para acessar espaços de lazer como o parque ou a praia.

A experiência dos cuidadores em seus deslocamentos diários pela cidade afeta suas interações com as crianças, especialmente pelos sistemas não serem planejados para considerar suas necessidades e desejos. Para garantir a mobilidade urbana mais sensível e adequada à primeira infância, é fundamental planejar, executar, monitorar e avaliar políticas e projetos de forma coordenada e transversal. Leia os relatórios Primeiros passos: mobilidade urbana na primeira infância com recomendações detalhadas.

Relatório 1
Relatório 2
Resumo Executivo
Para saber mais sobre projetos e recomendações para a primeira infância não deixe de ver o Guia Urban 95 da Fundação Bernard van Leer aqui.

 

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