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ITDP Brasil realiza Ciclo de Capacitação para Qualificar Projetos em Mobilidade Urbana e Soluções baseadas na Natureza 

A iniciativa teve mais de 1200 inscrições, com maior participação de gestores e técnicos públicos de todas as regiões do país

Ao longo de abril e maio, o ITDP Brasil promoveu o Ciclo de Capacitação para Qualificar Projetos em Mobilidade Urbana e Soluções Baseadas na Natureza, em parceria com a Cities Climate Finance Leadership Alliance (CCFLA), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Ministério das Cidades, com o apoio da Rede para o Desenvolvimento Urbano Sustentável (ReDUS) e do Portal Capacidades.  O objetivo da capacitação foi apoiar a qualificação técnica e viabilizar o financiamento e implementação dos projetos inscritos no Banco de Projetos do Programa Cidades Verdes e Resilientes (PCVR), iniciativa do Governo Federal que identifica e organiza os projetos urbano-climáticos no Brasil, aumentando a visibilidade e o potencial de acesso a financiamento e assistência técnica. 

A capacitação contou com mais de 1200 inscrições, com maior participação de gestores e técnicos públicos de todas as regiões do país. Os resultados demonstram a relevância do tema e a crescente demanda por qualificação técnica para que as cidades brasileiras possam planejar e implementar políticas urbanas mais sustentáveis e resilientes. 

Foram três encontros que abordaram as estratégias para promover a resiliência urbana, as Soluções baseadas na Natureza e a relação entre mobilidade urbana e mudança do clima. 

Incorporando a Resiliência Climática à Infraestrutura das Cidades

A primeira teve como objetivo apresentar os fundamentos da resiliência climática no contexto urbano, destacando a interdependência entre mitigação, adaptação e resiliência nas cidades. 

O professor na área de Ciências Ambientais, com ênfase em planejamento territorial e gestão ambiental e costeira da Universidade Federal Paulista (Unesp), Pedro Henrique Torres, apresentou a resiliência como uma estratégia de desenvolvimento capaz de aliar os benefícios climáticos à melhoria da qualidade de vida. O especialista ressaltou que a justiça climática é condição essencial para o êxito das políticas públicas e para a transformação das cidades.  

Já a especialista em resiliência urbana do Escritório da Nações Unidas para Redução de Riscos e Desastres (UNDRR), Adriana Campelo, reforçou que a emergência climática exige uma abordagem preventiva, e não apenas reativa. Isso implica conhecer as vulnerabilidades e os riscos de cada território e agir antes que os desastres ocorram.  

Por fim, a Gerente no Departamento de Desenvolvimento Urbano do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Anie Amicci,  apresentou os investimentos necessários para viabilizar a transição para a resiliência climática na infraestrutura urbana a partir da qualificação de projetos no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR). 

Soluções baseadas na Natureza: Estratégia para Resiliência Climática nas Cidades

A sessão discutiu os fundamentos das Soluções baseadas na Natureza (SbN), com foco em sua aplicação em áreas urbanas, além de abordar essas iniciativas como respostas a problemas concretos das cidades, enfatizando seu potencial de gerar múltiplos cobenefícios ambientais, sociais e climáticos quando aplicadas de forma estratégica, evitando seu uso indiscriminado. 

O encontro contou com a participação da arquiteta e urbanista e fundadora da Guajava Arquitetura, Riciane Pombo, e da consultora técnica da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, Jordana Zola. 

Riciane começou a sessão apresentando que, diferentemente da infraestrutura convencional, que é rígida, monofuncional e que se deprecia com o tempo, as SbN são adaptáveis, multifuncionais e tendem a se valorizar à medida que a biodiversidade se expande e a comunidade se apropria do espaço. Ela também apresentou uma metodologia de implementação dessas iniciativas estruturada em três fases: realização de estudos preliminares e diagnóstico hidrológico; desenvolvimento do projeto arquitetônico e do paisagismo funcional; e, por fim, a execução das intervenções, incluindo o licenciamento e um plano de manutenção. 

Trazendo a perspectiva da justiça socioambiental para o conceito de SbN, Jordana reforçou que as populações periféricas estão mais expostas às ameaças climáticas, mas raramente são priorizadas nas políticas públicas. Segundo ela, reverter esse quadro representa também uma oportunidade de promover o desenvolvimento, autonomia e melhoria da qualidade de vida dessas comunidades. 

Mobilidade Urbana Sustentável: Abordagens para Mitigação e Adaptação à Mudança Climática

A terceira sessão teve como objetivo discutir a relação entre mobilidade urbana e mudança do clima, abordando tanto as estratégias de mitigação de emissões quanto as medidas de adaptação no setor de transportes. Também foi explorado o papel da mobilidade ativa na promoção de cidades mais sustentáveis e na contribuição para a ação climática, a partir da experiência de cidades brasileiras. 

A gerente de projetos do ITDP Brasil, Danielle Hoppe, abriu o último encontro destacando que, embora o transporte responda por 20% das emissões do setor de energia no país, com 52% oriundos de veículos terrestres, a mobilidade também é severamente impactada pelos efeitos climáticos. Enchentes, ondas de calor e deslizamentos comprometem infraestruturas e agravam desigualdades. Danielle defendeu que a mobilidade deve ser vista como campo estratégico de transformação, especialmente quando integrada à infraestrutura verde e ao Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável. 

Logo em seguida, a assessora técnica na Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência (SECIS) na Prefeitura de Salvador, Winnie Gomes, e Manuela Accioly, da Secretaria de Mobilidade de Salvador, apresentaram experiências da capital baiana em mobilidade ativa e SbN, como o Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima, os Corredores Verdes e o Comitê Intersetorial do Plano Cicloviário.  

Trazendo a experiência de Fortaleza, cidade referência nacional em planejamento cicloviário, o Coordenador de Mobilidade Urbana na Prefeitura de Fortaleza, Victor Macêdo, compartilhou os avanços da cidade na expansão da rede para infraestrutura para bicicletas, no sistema de bicicletas compartilhadas, Bicicletar, e o projeto Ciclos de Proteção. Esse último é uma iniciativa que transforma ciclofaixas em ciclovias arborizadas e já foi aprovado por 95% dos usuários. 

Fechando o último encontro, a diretora do Departamento de Regulação da Mobilidade e Trânsito Urbano da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Danielle Holanda, apresentou a Plataforma Viabiliza, ferramenta digital que apoia municípios na estruturação de projetos sustentáveis e divulga fontes de financiamento, fortalecendo a capacidade técnica dos governos locais.  

Ao final do ciclo, os munícipios ou estados que tiverem submetido projetos para uma das duas chamadas do Banco de Projetos do PCVR cujos representantes participaram de todas as sessões do ciclo de capacitação, participaram de um processo seletivo para receber uma mentoria técnica especializada oferecida pelo ITDP Brasil no segundo semestre de 2026. A mentoria terá como objetivo aprimorar projetos de mobilidade urbana sustentável e Soluções Baseadas na Natureza, fortalecendo sua consistência técnica, sua viabilidade e suas possibilidades de acesso a recursos para implementação. 

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