O tema da mobilidade urbana nas eleições federais e estaduais deste ano carrega uma série de desafios. O primeiro deles está relacionado à crise energética global e exige que gestores públicos repensem a nossa persistente dependência dos combustíveis fósseis. É fundamental definir se teremos medidas que insistem em modelos que consomem mais energia e são mais poluentes, ou se teremos iniciativas transformadoras que garantam financiamento estável para o transporte público, a ampliação da oferta do serviço e a eletrificação – opção socialmente mais justa e energeticamente mais eficiente do que subsídios temporários aos combustíveis fósseis.
Outros desafios a serem solucionados pelo setor público exigem ações e decisões que impactem de forma estrutural a crise enfrentada pelo transporte público nas últimas décadas. A falta de políticas públicas efetivas, que incluam financiamento adequado para priorizar e melhorar o uso do transporte público e dos modos ativos tem provocado uma mudança nos padrões de deslocamento das pessoas, incentivando a migração para o transporte individual. Além de colaborar para o desequilíbrio financeiro do transporte público e para o impacto negativo ao meio ambiente, o aumento do uso de veículos particulares, como motos, contribui para o elevado número de mortes no trânsito, principalmente de motociclistas, que somente em 2024 representaram um custo de internações superior a R$ 250 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A maioria das pessoas realiza longas viagens para acessar oportunidades de empregos, serviços públicos e lazer.
A tarifa não condiz com o nível de renda das pessoas que utilizam os transportes.
Mulheres, crianças, pessoas pobres, negras, idosas e com deficiência lidam com desafios ainda maiores para se deslocar.
O elevado número de mortes no trânsito assusta a população, principalmente pedestres e ciclistas.
A infraestrutura dos transportes não está próxima das regiões onde vive a maior parte das pessoas.
O transporte é poluente, afeta o meio ambiente, piora a qualidade do ar e compromete a saúde das pessoas.
Nesse sentido, o ITDP desenvolveu um documento com propostas de políticas que contribuem diretamente para aumentar o número de passageiros no transporte público nos próximos anos. O material é divido em quatro propostas políticas que dialogam para transformar a qualidade e atratividade do transporte público. Para Clarisse Cunhe Linke, diretora-executiva do ITDP Brasil, Essas propostas são fundamentais para minimizar a dificuldade que a maior parte da população brasileira enfrenta para acessar a cidade, melhorar a infraestrutura insuficiente e precária dos transportes e o repensar o alto valor das tarifas.” afirma. O material apresenta soluções para esses desafios que comprometem diariamente a qualidade de vida da população, especialmente as pessoas pobres e negras, que são as principais usuárias dos serviços de transporte públicos
O que precisa ser feito para aumentar o número de passageiros no transporte público?
1. GARANTIR UM SISTEMA DE QUALIDADE, ACESSÍVEL E FINANCEIRAMENTE SUSTENTÁVEL
2. VIABILIZAR SISTEMAS ELETRIFICADOS, FINANCIADOS E EQUITATIVOS
3. PROMOVER DESLOCAMENTOS SEGUROS PARA TODAS AS PESSOAS
4. DESINCENTIVAR O USO DE VEÍCULOS PARTICULARES
O documento traz uma série de ações quem devem ser consideradas nos governos dos próximos gestores para alcançar as propostas sugeridas. Essas transformações exigem uma mudança na lógica de gestão e planejamento das cidades e ações coordenadas que integrem políticas setoriais para que tenham como principal foco a redução de desigualdade no acesso ao transporte. No entanto, boas diretrizes e planos só se concretizam quando acompanhados de mecanismos adequados de financiamento. A implementação de políticas de mobilidade urbana sustentável depende diretamente da capacidade dos governos de mobilizar, alocar e gerir recursos financeiros de forma estratégica e consistente ao longo do tempo. Isso envolve desde o financiamento da infraestrutura e da operação dos sistemas de transporte até o apoio a inovações tecnológicas, programas de mitigação e adaptação climática, além de instrumentos de promoção da equidade social.


