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Nenhum retrocesso em São Paulo é aceitável

A cidade precisa sim é de mais e melhores ciclovias

Na última semana duas pessoas foram mortas no trânsito de São Paulo, um idoso de 78 anos e uma criança de apenas 9 anos. As duas mortes se somam ao assustador número de mais de 1000 vítimas fatais a cada ano na cidade, uma epidemia que precisa ser revertida com a adoção de medidas que estimulem a direção responsável de todos, mas também busquem equilibrar a distribuição modal na cidade, priorizando a oferta e a qualidade dos modos ativos (bicicleta e caminhada) e do transporte coletivo, conforme prevê a Lei Nacional da Mobilidade Urbana.

Segundo dados da CET-SP*, das 1195 mortes no trânsito em 2014, 1.193 envolveram veículos motorizados, sendo que os automóveis têm participação majoritária nas colisões, choques e atropelamentos fatais (636 mortes, ou 37% do total). Esta informação, que parece óbvia, é importante para orientar, sedimentar e aprimorar as políticas de mobilidade em curso no município, incluindo a ampliação da infraestrutura cicloviária e a redução dos limites de velocidade na área urbana.

As duas mortes desta semana ocorreram nas proximidades de ou em ciclovias recém implementadas, ganhando destaque e repercussão midiática que não é vista nos demais casos. O debate é importante, mas deve estar orientado para a construção de melhorias, e não como ferramenta que inviabilize a política cicloviária ou estimule de forma irresponsável o desrespeito e a raiva aos usuários de bicicletas.

O programa CicloviaSP da Prefeitura de São Paulo contemplou inicialmente a expansão em escala da rede cicloviária e o mínimo impacto aos fluxo de veículos motorizados. Com isso, a cidade saltou de pouco mais de 60km de ciclovias e ciclofaixas para 356km em menos de dois anos. Apesar das reações contrárias de alguns setores da sociedade, apenas 879 vagas de automóveis privados foram suprimidas das ruas para dar lugar às ciclovias.

As duas características acima foram importantes para começar a consolidar uma rede mínima para o uso de bicicletas, elemento fundamental para uma política de mobilidade de qualquer cidade contemporânea. No entanto, essa estratégia precisa ser aprimorada e a superação da reação contrária do período inicial já permite avanços.

Para garantir uma rede cicloviária de qualidade é preciso aprimorar projetos, execução e manutenção das obras. Além de recursos técnicos, humanos e materiais, existe um fator decisivo para isso: a redistribuição do espaço viário. Sem retirar espaço dos automóveis (estacionados ou em circulação), fica muito mais difícil construir ciclovias com largura, desenho, geometria e traçados que atendam a demanda crescente de usuários.

O ITDP Brasil lamenta a morte de mais duas pessoas no trânsito de São Paulo e se solidariza com os familiares das vítimas. É preciso avançar na construção de uma cidade onde nenhuma vida seja perdida em fatos muitas vezes previsíveis que costumamos chamar de “acidentes”. A necessidade de mais e melhores ciclovias não é apenas dos ciclistas, mas da cidade e de todos os seus habitantes.

* Relatório de Acidentes Fatais 2014 – Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo.

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