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Como o uso da tecnologia pode prevenir a violência contra as mulheres dentro dos ônibus? 

A violência de gênero no transporte público coletivo infelizmente é uma realidade cotidiana que compromete a segurança, a mobilidadeo deslocamento e o próprio direito à cidade de mulheres e outros grupos vulnerabilizados. Embora as mulheres sejam as principais usuárias do transporte público, os números revelam um grave problema de insegurança: 99,6% das brasileiras já sofreram algum tipo de assédio em espaços públicos, e 64% relataram ter vivido essas situações dentro de ônibus, metrôs ou trens, segundo a pesquisa Chega de Fiu Fiu, da Think Olga. 

No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, a percepção de insegurança é ainda mais intensa. Um levantamento da campanha “Cidades Seguras para as Mulheres”, da ActionAid, mostrou que 91,1% das mulheres sentem medo ao esperar o ônibus, especialmente à noite e em pontos com pouca iluminação. Para a diretora-executiva do ITDP Brasil, Clarisse Cunha Linke, esse medo não é apenas uma sensação: ele afeta diretamente o direito de ir e vir e impede a participação plena das mulheres na vida urbana. Muitas mulheres deixam de utilizar o transporte público como principal meio de deslocamento por medo de sofrer assédio durante o trajeto. Temos observado que, especialmente as mulheres de baixa renda que passam mais tempo nos deslocamentos, cresce a migração para motos por aplicativo – um cálculo de risco que, paradoxalmente, continua expondo essas passageiras a situações de vulnerabilidade, como mortes ou sinistros de trânsito”.   

Apesar disso, a violência contra mulheres nos transportes segue amplamente subnotificada e tratada de forma pontual. A falta articulação entre operadores do sistema, autoridades de segurança e políticas de gênero, além de protocolos claros de registro e encaminhamento das denúncias reforçam um vazio que contribui para a invisibilidade do problema. 

Um momento de oportunidade para transformar o sistema

Com muitas cidades brasileiras preparando novos processos licitatórios para compra de novos veículos nos próximos anos, abre-se uma oportunidade estratégica para incorporar soluções mais robustas de segurança. Esses processos devem incluir a exigência por tecnologias embarcadas que previnam e reduzam significativamente a violência de gênero, reforçando a sensação de segurança das passageiras. 

É nesse contexto que o ITDP Brasil vem mapeando as principais tecnologias que precisam ser incorporadas aos ônibus para fortalecer a segurança das mulheres no transporte coletivo. O resultado está consolidade em um infográfico. “São dispositivos e sistemas essenciais para enfrentar a vulnerabilidade de gênero nos deslocamentos urbanos e criar ambientes mais acolhedores e seguros”, reforça Clarisse.  

Faça o download do infográfico

O material foi construído a partir de experiências documentadas em cidades como Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza, além de referências internacionais, como o Metrobús, na Cidade do México, e o TransMilenio, em Bogotá. Esses sistemas demonstraram que a combinação entre tecnologia embarcada, protocolos integrados e treinamentos contínuos pode reduzir a incidência de violência de gênero e fortalecer a sensação de segurança das passageiras. 

Mais do que listar ferramentas, o infográfico busca apoiar gestores públicos, operadores e equipes técnicas a incluir essas soluções desde o planejamento até a operação cotidiana dos sistemas de transporte. 

Esse produto faz parte do projeto ACCESS (em português, ACESSO), que visa contribuir para o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis nas cidades brasileiras. O ITDP Brasil está liderando o projeto no Brasil, que é coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A iniciativa é financiada pela Iniciativa Alemã de Proteção do Clima (IKI) que atua para fomentar o uso de tecnologias digitais de ponta e soluções baseadas em dados para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e melhorar a mobilidade na região mais urbanizada do mundo — a América Latina.

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